segunda-feira, 30 de abril de 2012

Palcos flutuantes e espectáculo de pirotecnia

Ontem à noite, já a caminho de casa, depois de ter estado em casa de uma amiga a ver os Ídolos, devo ter despertado a minha veia liricista mais uma vez.
Não é que adore a música mas, não sei porquê, comecei instintivamente a cantar "não há estrelas do céu" de Rui Veloso. Automaticamente comecei a fazer uma adaptação à minha vida profissional.
Confesso que ficou um pouco depressivo, mas não deixa de ter graça (digo eu):

Não há ninguém no céu a dourar o meu caminho,
Por menos briefings que tenha sinto-me sempre cansada.
De que vale ter a chave da agência para entrar,
Sem uma nota no bolso pr'a cigarros e viajar?
[Refrão]
Esta vida de designer é bonita de se ver,
Tão depressa ganhamos projectos como a seguir estamos a perder.
Para mim hoje é um dia longo, preciso de um pouco d'ar,
Dá-me lá um bilhete de avião, para eu poder bazar!
Passo horas na agência, sei muito bem onde quero ir,
Tudo à volta está tão stressante, só me apetece fugir.
Nem me consigo ver ao espelho, o tempo é só para trabalhar,
De manhã ouço outro briefing que a account tem pr'a me dar.
[Refrão]
Hu-hu-hu-hu-hu, hu-hu-hu-hu-hu.
Vou por aí às escondidas, não quero ser encontrada,
Perdida nas artes finais e nunca mais achada.
Mãe, estou-me a sentir num trapézio sem rede,
Mais uma alteração por favor não, estou entre a espada e a parede.
Não vês como isto é duro, ser designer não é um posto,
Ter de encarar os clientes com olheiras no rosto.
Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim,
Se não fosse o Hip-Hop, o que seria de mim?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ser Designer II

Ser designer é sobrar mês no fim do dinheiro e continuar a acreditar que isto é a melhor coisa do mundo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ser designer I

Ser designer é tanta coisa que se torna difícil organizar as ideias e acabar num resumo claro.
Ser designer é, sobretudo, ser um psicólogo visual. É como se trabalhasse num consultório gráfico. Os clientes chegam, descrevem o seu "problema" e nós, indo de encontro ao seu perfil (e isto implica um estudo, uma análise e uma pesquisa extremamente detalhados), tentamos chegar a uma solução que seja viável e que funcione conforme a nossa perspectiva e que, ao mesmo tempo, seja suficientemente convincente e do agrado do cliente.
O pior é quando as nossas perspectivas estão completamente desalinhadas e a nossa função é (tentar) explicar que, conforme o bom senso do design, a solução que o cliente pensa ser a correcta simplesmente não funciona.
Aí gera-se uma guerra invisível. Do lado de lá conseguimos imaginar um portátil HP de 13", o Microsoft Outlook aberto e umas mãos no teclado com imensa vontade de escrever "Vocês são burros, isto é só fazer um quadrado!"
E deste lado os iMac's de 27" são as nossas janelas para o futuro, o Photoshop e o Ilustrator ajudam-nos a fazer coisas tão mágicas, como fazer as pessoas delirarem com os outdoors da nova temporada da série preferida ou o cartaz daquele concerto.
E no meio desta guerra toda entre cliente e designer a nossa verdadeira vontade é fazer uma montagem com a fotografia da cara da vítima no pior cenário possível.
Sim, ficamos com os nossos sentimentos criativos magoados quando ouvimos coisas como "isso é só fazer bonecos". Se quiserem podem abrir o Paint e tentar fazer um convite.
Ser designer é ter paciência e, se na altura não estiver em stock, é ter a capacidade de produzi-la de alguma forma.
Não temos que, obrigatoriamente, ser os geeks da tecnologia e ter um orgasmo intelectual cada vez que a Apple lança um novo gadjet. A verdade é que essa é a marca que lança os nossos instrumentos de trabalho preferidos. E a chegada do novo pacote da Adobe significa uma promoção.
Ser designer é ter um colapso cerebral cada vez que as alterações chegam em PowerPoint, pior é quando nos mandam conteúdos em Excel, nomeadamente imagens! Não quero tomar partido de ninguém, mas a verdade é que o Microsoft Office assemelha-se muito ao cubo mágico: sabemos o que é que faz, mas é tão difícil chegar a algum lado que o melhor é mesmo não mexer. E nós gostamos de coisas práticas, less is more.
Ser designer é descobrir todos os dias, pelo menos, um site ou um blogue, tentar desligar o computador à noite e delirar com "aquele cantinho" da Fnac.
Ser designer é ouvir o despertador entre as 07:45h e 08:30h, chegar a casa às 03:20h e, mesmo assim, conseguir ligar o rádio do carro, ouvir a música preferida e conseguir canta-la. Porque o sentimento de ver um projecto bem realizado é tão entusiasmante quanto a descoberta de um novo medicamento. A diferença é que não vem nos jornais.
Ser designer é poder usar "aqueles" tenis Nike, cortar o cabelo e usar umas calças não-sei-quê e, depois de levarmos com um tsunami de opiniões voluntárias, logo de seguida sermos confrontados com "Oh! São criativos (coitados)".
Ser designer é fazer reciclagem, não nos contentores, mas para os nossos projectos pessoais. É repararmos nas embalagens, comprar um pacote de bolachas só para ficarmos com uma referência visual. É termos uma pilha de 2m de revistas de todos os formatos e conteúdos, porque é uma referências visual. Tudo são referências visuais. E às vezes, coisas tão simples como aqueles anúncios que nos deixam presos ao pára-brisas, matam-nos por dentro. Não porque nos irrita (também), mas porque a concepção "daquilo"... enfim.
A memória visual é a nossa melhor amiga.
Ser designer é explicar todos os dias que fazer o que fazemos tem o seu tempo. E que por mais que as pessoas pensem que, à partida, "isto é uma coisa simples", não é.
Tentar perceber pensamentos que, a maior parte das vezes são o oposto dos nossos, é talvez o exercício mais desafiante desta profissão. E isso é o que nos destingue. Uma coisa é o que nós gostamos, outra coisa é fazermos o que os outros gostam, mesmo quando isso não tem nada a ver com o nosso gosto pessoal.
Ser designer é deixar a Bárbara, a Catarina e o Luís em casa, vestir o fato de psicólogo-criativo e salve-se que puder!
Mas no meio de tudo isto, ser designer é a melhor coisa do mundo! É ver, experimentar, explorar. É o detalhe. É a revista, o graffitti, a t-shirt, o carro, a fotografia, as ruas, as pessoas...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Pfffff!

Eu odeio os vossos PowerPoint's(zinhos) com setinhas e notinhas a indicar as alterações.

'Tás a perceber, ou também queres que te faça um "desenho"?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Outra vez não, a sério.

São 18:44, por favor.
Eu respeito sempre os timmings, as deadlines, as datas, tudo e mais alguma coisa. Porque é que me fazem esperar (e sofrer) desta maneira quando preciso de enviar as artes finais para a gráfica? 
O problema é vosso, não é meu. Mas se alguma coisa falhar, somos nós que entramos ao barulho e aos raspanetes.

(entretanto tive de fazer umas coisas)

São 19:16, por amor de Deus.
Agora é que dizem que não é preciso as artes finais?

Bem, vou para casa.

Ser Designer é ser solidário (também)

Isto é um teaser: um desafio maravilhoso de Freak.Quency!
Bora lá começar a aquecer o cérebro. Assim que saírem mais detalhes publicarei.
Até lá podem ficar atentos à freakquência e roerem as unhas a tentar perceber o que para aí vem...



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Call 911

Eu sei que nada é perfeito. Que qualquer trabalho que possamos ter, vamos encontrar tantos ponto negativos como positivos.
Mas eu não sou de ferro.

Caros Clientes, I love you and mean it. Vocês são aqueles que fazem a minha criatividade crescer, bem como a minha capacidade enquanto profissional.
Mas porque é que me mandam e-mails com a label "URGENTE", tipo às 10 da noite? Depois de um dia inteiro de trabalho, a trocarmos e-mails de 5 em 5 minutos, só às 10 da noite é que se lembram que é urgente?!
E porque é que, mesmo assim, no dia seguinte, voltamos a comunicar via e-mail como se não houvesse amanhã e o subject é sempre "Aguardo nova maquete - URGENTE!"?
Eu não vos vou deixar num cesto à porta da igreja. Eu sei que, tal como eu vos tenho a vocês, vocês provavelmente também terão alguém a mandar e-mails do tipo "Aguardo que peça nova maquete - URGENTE!".
Mas vamos lá quebrar essa corrente pelo menos, até mim. Eu estou no fundo desta cadeia alimentar. Ou então, em vez de fazer Reply, abro uma nova janela em que o subject passa a ser "Aguardo aprovação - URGENTE! (até às 18h)" e passamos a comunicar sempre assim.

Férias


s. f. pl.

  Tempo durante o qual não funcionam aulas, tribunais, etc.
  Interrupção relativamente longa de trabalho, destinada ao descanso dos trabalhadores.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Parabéns Marisa!

Eu sou uma pessoa de festas, convívios e colectividades (como dizia o outro). E gosto muito quando alguém faz anos cá na agência.
Bolo, há sempre. E se não há, inventa-se. Foi o caso de hoje: a Marisa fez anos e não teve tempo de preparar qualquer coisa em casa, então teve-se de improvisar no microondas.
A criatividade anda por todo o lado!


terça-feira, 10 de abril de 2012

Se calhar exagerei um bocado.

O que nos liga é a Internet

Eu sei que devemos sempre ter uma visão futurista, aquilo que gostam de chamar "fora da caixa". Mas para isso, quase sempre, precisa-se dos "instrumentos" de hoje e do futuro. É quase impossível transformar e exteriorizar uma ideia futurista sem os meios necessários.
Tivemos à volta de 3 horas sem ligação à internet. Tudo parado. Ora fazíamos desenhos aleatórios nas folhas de rascunhos, ora nos encostávamos na cadeira, discutíamos um assuntos estúpido. Enfim. Na esperança que a internet batesse à porta e já a fazer apostas da quantidade de e-mails que poderiam surgir ou telefonemas - "Bárbara, viu o e-mail...?" Estamos sem internet.
É nestas alturas em que penso que é tão bom e tão mau termos toda esta tecnologia disponível. Eu sei que designer é uma profissão recente, ainda não tem muita história. Mas como é que os gajos faziam à 20 anos? Sinto-me muito pequenina neste momento.
Quanto mais temos, mais queremos ter, maiores são as nossas exigências e mais díficil se torna voltar ao príncipio.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

8 ou 80

Neste tipo de "emprego" é assim mesmo. Ou se trabalha até às 6 da manhã, ou apanha-se uma seca do caraças!
Não sei se prefiro desesperar por não saber a que horas vou chegar a casa, ou morrer de tédio sem nada para fazer...


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Oração do dia



Clientes que queriam estar no céu,
santificado seja o nosso trabalho
mandem lá mais uma alteração,
é sempre feita a vossa vontade
aqui na agência, como em em qualquer lugar.
O briefing vosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
quando ficamos a trabalhar até às 3 da manhã,
e não nos deixeis cair no desespero,
mas livrai-nos das noitadas.
Amén.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Escrita criativa

Estava eu à procura de qualquer coisa na minha mesa, quando encontro, para grande felicidade minha e da Catarina, um tesourinho.
Bem, lembram-se de já ter escrito sobre os brainstormings nas horas vagas? Isto não acontece só na altura do lanche.
O facto de termos mil programas e mil ficheiros abertos ao mesmo tempo (tem que ser) e por melhores que os computadores sejam, às vezes fazem-nos esperar. E quando o computador está a "pensar", faz-nos pensar a nós também. Eis que é quando isto acontece que surgem situações como esta:

The Dog Days are (not) over

"Dias de cão" normalmente significa ter um dia mau.
Cá na agência é isso mesmo e também pode ser convertido numa coisa boa: quando alguém trás o seu animal de estimação.
O Keeper nunca cá veio, porque acho que tem uma personalidade muito eufórica e livre. E por um lado, não gostava de ver o meu trabalho arruinado!
Mas, isso é uma situação a rever...

cá está ele!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

No Verão não se dá pelo tempo passar

O horário de Verão dá jeito porque às vezes dá para sair do trabalho ainda de dia. A isto é que se chama psicologia inversa.
Até porque está toda a gente mais contente, calor e tal. Isso também ajuda.